Fomos dar uma volta na Augusta depois de termos feito um aquecimento na praça. contornamos uns quarteirões e demos de cara com a Igreja da Consolação subindo a Rego Freitas.
Foi tudo sem intenção. Mesmo o aquecimento eu fiz sem intenção. E foi intenso. segundos intensos. De resto nada tão expressivo. Penso: em alguns momentos fui tomada por enorme estudo dos movimentos. Noutros vagei uns pensamentos e papos. O que restou, concluindo, foram muitas ideias, reflexões e percepções sutis daquilo que estava nos incomodando neste dia. O que é que fomos fazer, afinal?
Pensei sobre a violencia de estar pronto, da disposição de entrar em hora de estudo. e nas multiplas máscaras da representação:
- como é fácil trabalhar para conquistar o mérito de ter realizado um trabalho. - só se combate as máscaras com sinceridade.
Das ruas por onde passei percebi que não são atmosferas criativas, a praça roosevelt, pelo contrário, é um ambiente diferenciado. e acolhedor. - As putas são o que de mais criativo permanece nas ruas, há também alguns loucos, mas de qualquer maneira, nem um nem outro são promotores de espaços interessantes, ou mesmo lúdicos. - A sociedade está atolada e não há modo de combate que não coexista com o trabalho de si - e isso em qualquer sociedade. A questão que fica é: qual é o interesse pela sinceridade?
- a siceridade me leva à passagem e na passagem não há reconhecimento, é um fluxo em que nada escapa à diferenciação. são transcodificações, capturas de códigos que necessariamente operam nos encontros. nos acontecimentos. o tempo da passagem não é o do reconhecimento, mas o da ação. e então? aceito? - o que tange a sinceridade é a efetuação fresca da memória, em vista de compor e criar.