esperar por um acontecimento;
terça-feira, 10 de novembro de 2009
segunda-feira, 28 de setembro de 2009
Moradia
Da nossa experimentação acerca do morador de rua, ficou em mim um incômodo que pouco sei expressar. Sinto que é um longo caminho, uma vivência que ganha corpo de maneira sutil, quase invisível, com ritmo variável para cada aspecto do trabalho.
Estava tão cansada quando cheguei em casa. Com muita sede, só fui beber água depois de um tempo. O mesmo em ir ao banheiro. Primeiro eu lavei as mãos, e depois deitei no chão. Penso, da próxima vez vou descansar na rua, é mais saudável.
Ao pegar o copo e tirar a água do bebedouro, senti uma sensação muito confusa: não era referente ao conforto, mas a alguma coisa relativa à moradia. Eu ainda não sei mesmo o que estou a criar.
Sugiro que a mínima diferença que senti ao estar em casa e beber a água foi em relação ao privado. a um sossego, uma calmaria que talvez nunca houvesse distinguido. contudo a casa estava ocupada por diversas pessoas
terça-feira, 15 de setembro de 2009
é uma coisa que eu não consigo pegar com as mãos.
A praça estava suja, pouco molhada. Achei que estava muito visível, que eu estaria muito exposta. Para mim estava tudo muito vazio, e eu estranhei.
Fomos dar uma volta na Augusta depois de termos feito um aquecimento na praça. contornamos uns quarteirões e demos de cara com a Igreja da Consolação subindo a Rego Freitas.
Foi tudo sem intenção. Mesmo o aquecimento eu fiz sem intenção. E foi intenso. segundos intensos. De resto nada tão expressivo. Penso: em alguns momentos fui tomada por enorme estudo dos movimentos. Noutros vagei uns pensamentos e papos. O que restou, concluindo, foram muitas ideias, reflexões e percepções sutis daquilo que estava nos incomodando neste dia. O que é que fomos fazer, afinal?
Pensei sobre a violencia de estar pronto, da disposição de entrar em hora de estudo. e nas multiplas máscaras da representação:
- como é fácil trabalhar para conquistar o mérito de ter realizado um trabalho. - só se combate as máscaras com sinceridade.
Das ruas por onde passei percebi que não são atmosferas criativas, a praça roosevelt, pelo contrário, é um ambiente diferenciado. e acolhedor. - As putas são o que de mais criativo permanece nas ruas, há também alguns loucos, mas de qualquer maneira, nem um nem outro são promotores de espaços interessantes, ou mesmo lúdicos. - A sociedade está atolada e não há modo de combate que não coexista com o trabalho de si - e isso em qualquer sociedade. A questão que fica é: qual é o interesse pela sinceridade?
- a siceridade me leva à passagem e na passagem não há reconhecimento, é um fluxo em que nada escapa à diferenciação. são transcodificações, capturas de códigos que necessariamente operam nos encontros. nos acontecimentos. o tempo da passagem não é o do reconhecimento, mas o da ação. e então? aceito? - o que tange a sinceridade é a efetuação fresca da memória, em vista de compor e criar.
Assinar:
Postagens (Atom)